segunda-feira, 13 de novembro de 2017

tudo que tinha dentro molhou


minha blusa, meus papéis.
meu baralho, meu peito.
meu rg, meus mil réis.
reis nos ralos, frio sem blusa.
baralho com previsão obtusa.


meu pão com queijo
minhas chaves
meu batom, ficou ileso
sequei o espelho na calça
e saí de vermelho,
pela praça.

entrevista

fortes e fracos têm segredos
se você não está pronto para
desvendá-los, não os cutuque
uma fera pode te engolir inteiro.


eu não escrevo sempre a verdade,
só o que sinto.
invento muitas histórias,
mas todas muito sentidas,
com construção de personagem,
não minto.


foi em 2018
não deu dinheiro
mas deu língua,
tiro certeiro.


são ocultos,
pois ocultos não se contam
com números, nem letras
só com sentimentos mesmo,
incomensuráveis.


nem inteligente, nem burra
nem bonita, nem feia
nem tesuda, nem sem sal
mas com cabelo azul, né?!


um pouco santas, um pouco mães, um pouco outras, quem quiserem ser


falem mais foda-se
e fodam mais.
Amores líquidos
Encontros gasosos
Mágoas sólidas


Egos frágeis
Inconscientes transbordantes
Consciências pesadas


Amores frágeis
Mágoas transbordantes
Desencontros estáveis


Identidades volúveis
Apegos egoicos
conta líquida pinga bruta
conta líquida pinga bruta
líquida pinga bruta
pinga bruta
pinga bruta
 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017


A morte que respira
Em nós é um pífano
Afinando nossas veias
Para tocar a vida
de pronto


No inverno a vida também segue
debaixo da terra com a semente



Ainda no eterno, onde não alcanço
Ela deve caminhar, talvez mais lento
Ainda que distantes e sem tez
Nos damos as mãos no horizonte
E procuramos dar um sentido
Para os sopros.


Por isso os pífanos derramam-se
juntos em Caruaru, numa prece
Por isso meu cajueiro
quer dar flor e caju todo dia

O canto que assopra
de um lado com vida
Chega do outro
no fim
do pífano
Em dó
menor

e os filhos crescem
na primavera
tecendo as notas
que ficaram

quarta-feira, 27 de setembro de 2017



Ser anônimo, sem registro
dos dias em que fui extremamente feliz
Ser servil enquanto deveria sentar ao seu lado
E perdoar os anos que você não me viu
Te olhando


Ser discreta, quando queria gritar
Com a porta aberta
Meu tesão
Ser direta, quando queria te dengar
Com poesia recitada de frente para o mar


Conter meu abraço, meu gozo
E me esconder na multidão
Enquanto meus poros desejam
E meus olhos derramam sentir
Porque as grades que me cerceiam
São as veias do coração


29/01/2017

Para sentir, use preservativo


17/09/2016
21:59
Eu sou um ser intenso e de mente aberta. Busco me livrar de preconceitos e viver grandes emoções. Viver com adrenalina e com paz é uma equação difícil de resolver. Mas garanto que é andar com o coração na frente, a intuição no meio e a cabeça na retaguarda. Funciona? Não sei. Tem uns 37 anos e quase oito que tenho testado esta fórmula very crazy of life.
E o tema aqui é relacionamento, matéria que todo mundo repete mil vezes de ano. Estatísticas péssimas, humanidade faz um clone do homem, mas não consegue programar como se relacionar com ele.
De minhas experiências, nem muitas nem poucas, digo que na maioria das vezes andei com o coração na frente. Vocês devem estar se perguntando se deu certo, questão comum. Relacionamentos não foram feitos para dar certo, mas apenas para se viver. A vida dá certo quando estamos keep moving, em gerúndio, experimentando, aprendendo.
Eu penso ser mais válido aquele amor em que a gente se joga, onde cabe o incondicional e foda-se. Quando dizemos eu te amo sem ter certeza da resposta ou sabendo que não tem correspondência. Naquela relação em que usamos todas as cartas, todas as jogadas e em que esperamos, acendemos velas e sonhamos por anos. Ali mora o amor verdadeiro, quase desprovido de ego. Vocês vão me dizer que sou suicida. Não, sou intensa, sou inteira.  Eu amo e ponto. Se o outro me ama ou não é um problema dele e não meu. Faço meu melhor, na maioria das vezes. Quando o cara está de sacanagem, faço meus 80%, rs, porque também sou de carne e me decepciono, sim. Decepciono-me com gente que não sabe se doar, com gente sem afeto, gente seca que não gosta de trocar, que tem medo de ser frágil e de falar de seus podres. Eu me frustro com egoísmo, crueldade, mentira e superficialidade.
E quando faço meus 100% fico muito mais feliz. E com meus 150% eu explodo de felicidade. Doar amor tem retorno, vem de quem doa para o mundo e para si mesmo. Às vezes ele vem em forma de amizade, de amor universal, de auto-estima ou de aprendizado. Este é o verdadeiro motivo de se estar vivo.
O problema deste nosso tempo que cultua a liberdade e a felicidade é que as pessoas nem sabem o que significa sentir. Sentimentos são alienígenas, melhor que fiquem em Marte, ninguém quer tomar contato com um cara estranho que desvirtua a direção egoísta de nossas vidas porque sentir tem efeito colateral, a dor. Ela incomoda, tira a gente do prumo, faz pensar no sentido desta bagaça aqui. Não traz produtividade, nem felicidade garantida. Sentir não é seguro, para conjugar o verbo precisa-se de preservativo.
Assim o povo trocou o verbo amar pelo verbo foder. Foda-se é a expressão da moda e é sinônimo de liberdade. Sexo não é mais tabu, é saúde, é banal, corriqueiro, é egoísta. Eu fodo e os outros que se fodam.
Toda a troca de uma relação amorosa que culmina no ato sexual sublime e iluminado que repõe e transmuta energias é simplesmente transformado numa foda. Sem trocas, um ato maquinal, o ato de devorar pessoas, como se devora as informações na era da internet. Com direito a nudes, claro, a alma não estava lá, mas o corpo sim. Precisa registrar.
Qual o sentido desta liberdade vazia de alma? Quem é livre e feliz sem conhecer nem entrar em contato com suas emoções?
Não defendo relações tradicionais, e sim com profundidade, relações com troca de verdade. Vamos deixar que o foda-se caia de moda, a humanidade precisa evoluir. Uma dose de coragem e liguem o ama-se.